segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Novo número da RBSO traz dossiê temático sobre trabalho, saúde e meio ambiente na agricultura

A Revista Brasileira de Saúde Ocupacional informa que sua mais recente edição, o número 125 do volume 37, encontra-se disponível para acesso e download no portal SciELO (www.scielo.br/rbso).
Esta edição inclui, além de artigos com temas variados, o dossiê temático Trabalho, saúde e meio ambiente na agricultura: interações, impactos e desafios à segurança e saúde do trabalhador.
Convidamos a todos a conhecer a página da RBSO no portal SciELO (www.scielo.br/rbso), na qual, além do fascículo nº 125, encontram-se também disponíveis quatro edições que o precedem: o nº 121, que contém o dossiê Incapacidade, reabilitação profissional e Saúde do trabalhador; o nº 122 e o nº 123, que incluem o dossiê O mundo Contemporâneo do trabalho e a saúde mental do trabalhador­ – partes I e II; e o nº 124). As demais edições anteriores da RBSO serão paulatinamente disponibilizadas no SciELO.
Edições anteriores, a partir do número 114, continuam disponíveis no portal da RBSO (www.fundacentro.gov.br/rbso).

Sumário

Rev. bras. saúde ocup. vol.37 no.125 São Paulo jan./jun. 2012

Editorial

Vigilância do câncer relacionado ao trabalho: sobre as Diretrizes 2012 publicadas pelo Inca - Wünsch Filho, Victor
Sobre a proposta de concessão de benefícios por incapacidade sem perícia inicial do INSS - Maeno, Maria; Buschinelli, José Tarcisio P.

Dossiê Temático: Trabalho, Saúde e Meio Ambiente na Agricultura: Interações, Impactos e Desafios á Segurança e Saúde do Trabalhador

Trabalho, saúde e meio ambiente na agricultura - Freitas, Carlos Machado de; Garcia, Eduardo Garcia
Modelo de desenvolvimento, agrotóxicos e saúde: um panorama da realidade agrícola brasileira e propostas para uma agenda de pesquisa inovadora - Porto, Marcelo Firpo; Soares, Wagner Lopes
Modelo de desenvolvimento, agrotóxicos e saúde: prioridades para uma agenda de pesquisa e ação -
Faria, Neice Müller Xavier
Uma agenda necessária - Machado, Jorge Mesquita Huet
A problemática do uso de agrotóxicos no Brasil: a necessidade de construção de uma visão compartilhada por todos os atores sociais - Waichman, Andrea Viviana
Resposta dos autores - Porto, Marcelo Firpo; Soares, Wagner Lopes
Trabalho, saúde e migração nos canaviais da região de Ribeirão Preto (SP), Brasil: o que percebem e sentem os jovens trabalhadores? - Galiano, André de Mello; Vettorassi, Andréa; Navarro, Vera Lucia
Agronegócio: geração de desigualdades sociais, impactos no modo de vida e novas necessidades de saúde nos trabalhadores rurais - Pessoa, Vanira Matos; Rigotto, Raquel Maria
Uso de agrotóxicos na produção de soja do estado do Mato Grosso: um estudo preliminar de riscos ocupacionais e ambientais - Belo, Mariana Soares da Silva Peixoto; Pignati, Wanderlei; Dores, Eliana Freire Gaspar de Carvalho; Moreira, Josino Costa; Peres, Frederico
Vulnerabilidades de trabalhadores rurais frente ao uso de agrotóxicos na produção de hortaliças em região do Nordeste do Brasil - Preza, Débora de Lucca Chaves; Augusto, Lia Giraldo da Silva
Percepção de riscos do uso de agrotóxicos por trabalhadores da agricultura familiar do município de Rio Branco, AC - Gregolis, Thais Blaya Leite; Pinto, Wagner de Jesus; Peres, Frederico
Os limites da agricultura convencional e as razões de sua persistência: estudo do caso de Sumidouro, RJ - Stotz, Eduardo Navarro
Plantando, colhendo, vendendo, mas não comendo: práticas alimentares e de trabalho associadas à obesidade em agricultores familiares do Bonfim, Petrópolis, RJ - Lourenço, Ana Eliza Port
Mapeamento de vulnerabilidades socioambientais e de contextos de promoção da saúde ambiental na comunidade rural do Lamarão, Distrito Federal, 2011 -Carneiro, Fernando Ferreira; Hoefel, Maria da Graça; Silva, Marina Aparecida Malheiros; Nepomuceno, Alcebíades Renato; Vilela, Cleidiane; Amaral, Fernanda Rocha; Carvalho, Graciele Pollyanna M.; Batista, Jaqueline Leite; Lopes, Patrícia Abreu
Conflito e liberdade! - Jackson Filho, José Marçal

Tema Livre

Indicadores de absenteísmo e diagnósticos associados às licenças médicas de trabalhadores da área de serviços de uma indústria de petróleo
Oenning, Nágila Soares Xavier; Carvalho, Fernando Martins; Lima, Verônica Maria Cadena
Vivências de trabalhadores com deficiência: uma análise à luz da Psicodinâmica do Trabalho - Leão, Marluce Auxiliadora Borges Glaus; Silva, Ludimila Santos
Saúde e segurança e a subjetividade no trabalho: os riscos psicossociais - Ruiz, Valéria Salek; Araujo, André Luis Lima de
O espectro da neuropatia auditiva pode contribuir para acidente de trabalho? o relato de uma investigação clínica - Prestes, Marta Regueira Dias; Feitosa, Maria Angela Guimarães; Sampaio, André Luiz Lopes; Carvalho, Maria de Fátima Coelho; Meneses, Elienai de Alencar

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Último Dia de Inscrição para o I Simpósio Internacional de Saúde Mental e Trabalho

As prefeituras dos municípios da região do ABCD e o movimento sindical estão engajados na organização de diversas atividades em defesa da saúde e segurança no trabalho, em especial a saúde mental dos trabalhadores.

Remonta o ano 1985, a organização de serviços de atenção aos trabalhadores no município de SBC e na Região em resposta às reivindicações sindicais e ao adoecimento dos trabalhadores decorrentes das intoxicações por chumbo, mercúrio, etc.

Em 2009, em SBC, realizamos o seminário 25 anos de Saúde do Trabalhador em SBC e Região: retratos da história e desafios rememorando o início das ações nesta área na região do ABC.

Os sete municípios que compõem o Grande ABC, São Bernardo Campo, Santo André, Diadema, São Caetano do Sul, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, têm pautado as discussões sobre a temática da saúde mental no trabalho em ações integradas dos Centros de Referência em Saúde do Trabalhador (CEREST´s), serviços públicos do SUS, nos quais são atendidos trabalhadores, são realizadas inspeções nas empresas, registrados os acidentes e doenças do trabalho.

Desde 2004 são realizados seminários com a temática da Saúde Mental e Trabalho e, em 2010 realizamos em SBC o  VI Seminário Regional sobre Saúde Mental e Trabalho, que reuniu mais 350 pessoas.

Com a vinda do prof. Yves Clot, psicólogo do trabalho e pesquisador do Conservatoire National des Arts et Métiers de Paris,para participar do I Simpósio Internacional Saúde Mental e Trabalho: entre a atividade e a subjetividade, em 22 de junho de 2012, objetivamos articular ações na região e aprofundar a compreensão sobre as transformações das condições e da organização do trabalho, com a participação do movimento operário a comunidade científica e a sociedade civil organizada.

Pretendemos produzir coletivamente reflexões críticas sobre a reestruturação do mundo do trabalho contribuindo para estruturar políticas públicas de atenção à saúde dos trabalhadores e instrumentalizar os profissionais da área da saúde, sindicalistas, trabalhadores para ações interventivas.
 

CEREST/CG participa de discussões do Seminário do CPR

O médico do trabalho do Centro de Referência Regional em Saúde do Trabalhador (CEREST/CG), João Jorge di Pace Tejo, representou a unidade de Saúde no Seminário de Segurança e Saúde no Trabalho, promovido pelo Comitê Permanente Regional sobre Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção de Campina Grande e Região (CPR-CGR), realizado no auditório da Federação das Indústrias da Paraíba (FIEP), na última quinta-feira (21/06).
O CEREST/CG foi convidado para expor sobre Protocolos de Atenção à Saúde dos Trabalhadores. Segundo o médico do trabalho, estes protocolos são preconizados pelo Ministério da Saúde, como instrumento de trabalho a ser utilizado na condução de diagnósticos referentes aos agravos de saúde dos trabalhadores, conforme Portaria 104GM/MS, de 25 de janeiro 2011.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Atingidos por amianto articulam mobilização e criticam Stephan Schmidheiny durante Rio+20


Evento na Cúpula dos Povos reúne brasileiros que denunciam problemas respiratórios após terem trabalhado no setor e representantes de grupos do exterior
Ivo  dos Santos aponta uma árvore próxima a uns cinco ou seis passos de distância. “Eu não consigo correr até ali sem ficar sem ar”. Ex-empregado da Eternit, empresa que atua no Brasil desde a década de 1940, ele hoje sofre problemas respiratórios decorrentes de sua participação direta na produção de itens com amianto entre 1952 e 1985.
Banido em seis estados brasileiros (São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Pernambuco), o amianto está relacionado a graves problemas de saúde por ter fibras altamente resistentes, que podem entrar no sistema respiratório e provocar traumas e até a morte, às vezes décadas depois do primeiro contato com o produto.

Ivo já conseguiu uma indenização da Eternit, mas, mesmo com fôlego limitado, não tem vontade de ficar parado sem fazer nada enquanto o amianto continuar sendo utilizado como matéria-prima no Brasil e exportado para outros países. Ele foi um dos atingidos por amianto que compareceu nesta sexta-feira ao debate “O futuro que queremos é livre de amianto”, evento internacional realizado durante a Cúpula dos Povos, principal espaço de debate e proposições da sociedade civil para a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20.
O encontro reuniu representantes de diferentes países e resultou em troca de experiências e articulações visando às audiências públicas marcadas para 24 e 31 de agosto no Supremo Tribunal Federal sobre o assim chamado “uso controlado”. A indústria tem tentado derrubar as leis de banimento estadual. (leia o posicionamento oficial da empresa sobre o tema)

A Eternit e demais empresas que exploram o amianto argumentam que, com as precauções hoje adotadas, os riscos são minimizados, e alegam que o amianto deve continuar a ser utilizado por ser uma alternativa barata para a construção civil – que permite a construção de moradias populares a baixo custo, por exemplo.
O amianto é utilizado na fabricação de telhas e caixas d’água, entre outros itens, e seus críticos alertam que, além dos riscos na extração nas minas e nas unidades industriais, o produto também traz riscos para os consumidores. Quando uma peça produzida por amianto se rompe, as fibras ficam no ar, podendo ser aspiradas.
Em seu site, a empresa, principal do setor no Brasil, afirma vender amianto para mais de 20 países, incluindo Colômbia, Emirados Árabes, Índia, Indonésio, México e Tailândia. 

“A discussão que fazemos é sobre o direito da saúde dos trabalhadores e das pessoas que moram no Brasil. Que tipo de desenvolvimento queremos?”, questionou, durante o evento, Mauro de Azevedo Menezes, advogado da Associação Brasileira dos Expostos ao Amianto.
A auditora fiscal e engenheira civil Fernanda Giannasi, uma das principais especialistas no tema no país, destaca a urgência necessária para o banimento do produto. “Os problemas de saúde vão começar a se manifestar em décadas e teremos uma curva ascendente. É  um passivo que custará caro para o país”.

Responsabilidade empresarial
Esmeraldo Teixeira, filho de um mineiro que trabalhou na mina São Félix do Amianto, em Poções (BA), principal pólo de extração do país durante as décadas de 1940, 1950 e 1960, alerta para a situação dos ex-trabalhadores e moradores da região. “Os problemas respiratórios não param de aparecer, a área da mina foi abandonada e permanece aberta, a água acumulada lá é utilizada e nunca a empresa tomou providências”, denunciou.

“A discussão tem tudo a ver com este momento. Qual a real responsabilidade das empresas? Faz sentido continuar utilizando produtos que poluem e fazem mal para pessoas? Qual o preço deste desenvolvimento?”, questiona a britânica Laurie Kazan-Allen, do Secretariado Internacional pelo Banimento do Amianto.
Ela é uma das articuladoras da mobilização internacional contra amiantos e organizadora e autora do livro “Eternit e o Grande Julgamento sobre Amianto” (“Eternit and the Great Asbestos Trial”), documento que reúne o histórico das disputas jurídicas internacionais e que deve ser traduzido para o português em breve.
A americana Linda Reinstein, da Organização de Alerta para Doenças relacionadas ao Amianto, defendeu a importância da sociedade civil na formulação de políticas públicas e do uso de redes sociais e da internet para disseminar informações sobre os riscos de continuar utilizando o produto.

Persona non grata
Além de troca de experiências e narrativas dos atingidos, que devem servir como base para apresentações nas audiências públicas, no encontro também foi defendido que o empresário Stephan Schmidheiny, que esteve à frente da Eternit durante décadas, seja considerado persona non grata na Rio+20.
Um dos primeiros a, durante a Rio 92, 20 anos atrás, defender conceitos como responsabilidade empresarial e o papel das indústrias na criação e consolidação de sistemas econômicos para a preservação do meio ambiente, ele é considerado referência quando se fala em Economia Verde (leia a cartilha que a Repórter Brasil preparou sobre o tema).

A Avina, Fundação Filantrópica criada por Stephan, emitiu nota repudiando a ideia de que o empresário seja considerado persona non grata. Ressaltando que o empresário não tem e nunca teve interesse em participar da Rio+20, a organização afirma que "essa petição é uma farsa, uma mobilização artificial em ataque à integridade de uma pessoa" e que o fundador da Avina foi o "primeiro a levantar a necessidade de substituir o amianto na indústria".

Destaca ainda que "há décadas ele abandonou seus investimentos nessa área e pôs em prática um programa inovador de desenvolvimento de produtos livres de amianto, matéria-prima que infelizmente , vale ressaltar ,ainda é processada legalmente em muitos países, inclusive no Brasil". Stephan deixou a presidência da Avina em 2003 e desde então não faz parte da administração, segundo representantes da organização.
(Por Daniel Santini, Repórter Brasil, 16/06/2012)